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Por: Fátima Nascimento
Era uma vez um menino que gostava muito de ler. Desde que começara a soletrar lia todos os textos que passavam debaixo dos seus olhos. À medida que foi crescendo, a sua leitura melhorava assim como o gosto pelas histórias. Os pais, vendo a sede do filho pela leitura, compravam-lhe livros e pediam a todos os familiares, amigos e conhecidos, que lhe queriam oferecer uma lembrança, para lhe oferecerem livros.
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O primeiro Natal 
Esta pequenina de teatro foi escrita por mim, no primeiro Natal que passámos sozinhos, os quatro - eu, e os meus três rebentos - pelo menos para os mais velhos. Foi há cinco anos atrás. Lembrei-me de escrever uma peçazita para eles, para eles representarem na noite de Natal, para a família que mais não era do que os meus pais. Eles não andavam nada animados, e pensei que a peça lhes desse algum alento. Nada complicado, para eles que não eram muito bons leitores. As ideias para o cenário começaram logo a surgir, numa torrente ininterrupta de ideias que se entrechocavam entre os dois mais velhos. Eu observava aqueles olhos retomarem o brilho que haviam perdido, por algum tempo. Ensaiaram algumas vezes, excitados por apresentarem essa peça para os avós. A sala era o nosso espaço. Depois de a mobília ter saído, ocupámo-la com as nossas imaginações, decorando-a ao nosso gosto. Como nos sentíamos bem ali, observando na escuridão, os efeitos intermitentes das vivas luzes amarelas ... as nossas mentes voando acima de tudo o que era matéria... mas depressa algo os empurrava para a terra. Os olhos infantis murchavam, por alguns momentos, para logo retomarem a luz que deles se perdera. Durante um desses ensaios, apareceu o Luís, amigo dos meus filhos e companheiro de aventuras do Bruno, que agarrou a ideia de participar na peça. Criei mais uma personagem... Inês, na sua cadeirinha, seguia os seus movimentos com os olhos atentos. O cenário continuava a ser o motivo da disputa dos mais velhos que o imagivam, cada um, à sua maneira. Eu olhava-os divertida. Não é preciso muito para colocar luz nos olhos das crianças... |
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Inês andava fascinada com a lua. Olhava-a, naquelas noites de verão, lá no alto, destacando-se, muito redonda e luminosa, dos outros pequenos pontos brilhantes incrustados no veludo escuro do céu. Admirava as formas que se destacavam nela e que a luz realçava. Amava a lua e habituara-se à sua presença, noite após noite. Chamava-lhe amiga e conversava com ela. Abria o seu coração àquela imensa bola de luz branca que lhe fazia companhia sempre. |
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Inês andava intrigada. Olhava para todos os lados e não compreendia. O que era aquilo? Era tão forte que até quase não a deixava abrir os olhos. Por mais que se voltasse, ela encontrava-se em todo o lado, inundando toda a paisagem de uma força incrível, e dando-lhe um aspecto mágico e acolhedor. Era aquela luz que lhe aquecia a cabeça nos dias de maior calor, e lhe dava a oportunidade de brincar calmamente, fora de casa, à sombra. - Que luz era aquela? – interrogava-se a pequena. |
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