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O antigo deputado constituinte Kalidás Barreto é o convidado especial da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) para a cerimónia de inauguração da exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português CONTINUAR
Novidades da aldeia de Cabril
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Fique a par das novidades da aldeia de Cabril. O restauro da torre sineira da antiga igreja paroquial, a semana desportiva, novidades do parque desportivo, entre outras notícias. continuar
A Associação de Juristas da Pampilhosa da Serra (AJPS) vai levar a cabo em Setembro deste ano uma Exposição intitulada “Os deputados pampilhosenses no Parlamento português (1822-1976). Continuar
A Biblioteca Municipal pampilhosense vai ser enriquecida com 16 volumes graças à exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português (1822-1976), organizada pela Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) e com inauguração agendada para o dia 11 de Setembro. continuar
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ADRIANO BRÁS CARVALHO PIRES De candidato a enfermeiro a soldador, de soldador a artista plástico Entrevistado por: Luís Gonçalves
Ar pacato algo despistado, sorriso fácil mas persistente, de trato simples sem esquecer nunca o respeito que todos os que encontra pela frente lhe merecem. Pintor, soldador, orientador em actividades profissionais, e contador de histórias, mas não de “estórias”, encontra na pintura a paixão que transforma o ócio em trabalho e o trabalho em sacerdócio.
SERRAS – Na sua tão diversificada actividade profissional, algum vez sentiu o peso de ser serrano? ADRIANO PIRES - Sim, várias vezes. SERRAS – Como se sente na pele esse facto? É complicado? ADRIANO PIRES - Foi simples para mim, senti na pele pela positiva em toda a parte onde estive, pois penso que ser serrano não só é dignificante como muito bem visto por todos os portugueses, somos todos filhos de boa gente e trabalhadores, em suma sinto orgulho de ser serrano.
ADRIANO PIRES - Em muitas circunstancias, não só a nível pessoal, (aprendi e cresci muito como homem) bem como profissional. SERRAS – Não se importa de falar num desses momentos marcantes? ADRIANO PIRES - Nos vários trabalhos que tive, a idade já avançada do meu pai nunca foi impedimento para que me apoiasse incondicionalmente, inclusivamente me dava grandes conselhos para vingar na vida profissional, mas foi a nível pessoal que mais me marcou pois aos 8 anos comecei a dar injecções nas pessoas, aos 9 na veia e aos 12 fiz uma pequena cirurgia, esses factos marcaram-me muito pois ganhei muito “calo” para a vida, foi como se de um teste se tratasse para poder enfrentar as vicissitudes da vida. SERRAS – Claro que nas Minas da Panasqueira tudo deve ter sido diferente, seu pai era um homem estimado e conhecido por todos os mineiros. Tal facto interferiu no seu trabalho? ADRIANO PIRES - No meu trabalho tal facto nunca sofreu interferências de qualquer tipo, porém era respeitado e admirado por ser filho de quem era. SERRAS – Diga-nos como se define, pintor soldador, ou um soldador pintor? ADRIANO PIRES - Soldador, a nível profissional; pintor, está-me no sangue. Diria que sou a fusão dos dois pois também “brinco” com cores no metal através da solda e maçarico. SERRAS – Como é que se brinca com as cores no metal, pinta-se e já está ? ADRIANO PIRES - Não é tão simples assim, fiz um curso de tratamentos térmicos, a partir daí, tomei conhecimento da cor das temperaturas dos metais, que vai desde o primeiro revenido a 200 graus (cor amarelo palha), passando por vários graus acima até aos 500 graus (cor azul escuro), tendo conhecimento dessas cores, posso fazer uso delas numa chapa ou ferro contorcido posso aplicar-lhe várias cores que para além das já referidas passam pelo lilás, castanho e cinzento. SERRAS – Revenido ? Pode explicar o que é exactamente o revenido ? ADRIANO PIRES – Revenido é nada mais do que um tratamento que o metal leva a uma temperatura tal que no futuro o tornará ainda mais resistente para a utilização desejada. Porém como sou pintor, nos meus tempos livres utilizo esta técnica para outro fim que é dar as cores que desejo para assim fazer de um simples bocado de metal um bonito quadro de pintura com as cores desejadas. Faço portanto com esta técnica uma escultura metálica.
ADRIANO PIRES - Penso, “ A minha alma Dornelense afinal continua bem viva, e todos os momentos que o meu pai “gastou” comigo foram bem aproveitados.
ADRIANO PIRES - Não, nunca desisto pois se só conseguir o meu objectivo após 3 passos, não quer dizer que errei as 3 vezes mas sim que o produto final foi um processo de 3 experiências. Por isso estou sempre a desenvolver os meus trabalhos e isso desenvolve-me como pessoa.
ADRIANO PIRES – Há mais ou menos 2 anos peguei num pincel e comecei a desenhar uma tela, já havia desenhado outras vezes mas sempre coisas sem importância mas desta vez quis perguntar a um mestre de pintura meu conhecido o que ele achava do desenho.
ADRIANO PIRES – Geralmente represento paisagens naturais tendo várias paisagens serranas inclusivamente da Serra da Estrela e de Dornelas do Zêzere que é a minha terra natal. Tenho também alguns quadros em que represento natureza morta e abstracto. O minha maior alegria foi quando alguns Dornelenses visitaram uma das minhas exposições e ao olharem os quadros se sentiram em Dornelas.
ADRIANO PIRES - De facto tenho pintado alguns quadros de cenas actuais, mas muito pouco, são as minhas raízes que mais gosto de retratar, por vezes gosto de aliar os quadros de cenas antigas a cenas modernas pois de onde vim sempre tive uma visão muito positiva relativamente ao futuro. SERRAS – Sabemos também que pinta habitualmente cenas e paisagens da sua Beira Serra. O que seria necessário para pintar mais vezes esses temas? ADRIANO PIRES - Sou uma pessoa que desejo arduamente pintar e retratar aquilo que foi a minha infância, paisagens e locais onde vivi, porém como ainda trabalho tenho muito pouco tempo mas brevemente ficarei reformado e esse sim é o meu grande projecto a médio e longo prazo, quero retribuir à minha região tudo aquilo que ela me ofereceu podendo assim retrata-la cada vez mais e melhor. Quando ainda era criança já fazia desenhos na areia à beira do meu tão querido rio Zêzere ao som de uma bela melodia natural que eram as rodas do rio que tiravam a água para regar o milho.
ADRIANO PIRES – É curiosa esta pergunta uma vez que ultimamente tenho ouvido muito falar da Pampilhosa da Serra na televisão e na rádio e por boas razões, numa era em que estamos com boas estradas e a internet está cada vez mais implantada nos lares dos portugueses a Pampilhosa está à distância de um clik.
ADRIANO PIRES - Não, infelizmente. SERRAS – Mas sabemos que contribui recentemente para a exposição “700 Olhares por 10 Freguesias”, cujo tema foi a Freguesia de Dornelas do Zêzere. Como é que isso aconteceu? ADRIANO PIRES – Foi muito gratificante participar nesta exposição o qual modestamente penso ter-me encaixado na perfeição pois os quadros que orgulhosamente exponho (sendo que um deles doei), espelham bem a região que viu nascer os meus antepassados e eu próprio. Estes quadros relatam os benefícios que o rio Zêzere ofereceu e ainda oferece às duas margens e o que tanto se lutou para deixar o barqueiro de “lado” para dar lugar as pontes velhas que o rio levava nos invernos rigorosos até à nova ponte de Dornelas. Os quadros mostram o esforço do povo, desde o meu pai (presidente da junta) até ao cidadão mais comum alguns até emigrantes espalhados pelo mundo para uma causa local e regional.
ADRIANO PIRES - Seria um grande orgulho para mim, infelizmente neste momento tenho pouco tempo, mas em Agosto entrarei na reforma e a partir daí tenho mais tempo para mim pois a minha vida sempre foi dedicada ao trabalho, de forma que sendo convidado para expor na Pampilhosa da Serra seria um dos grandes orgulhos da minha vida. Luís Gonçalves |