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O antigo deputado constituinte Kalidás Barreto é o convidado especial da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) para a cerimónia de inauguração da exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português CONTINUAR

Novidades da aldeia de Cabril

Fique a par das novidades da aldeia de Cabril. O restauro da torre sineira da antiga igreja paroquial, a semana desportiva, novidades do parque desportivo, entre outras notícias. continuar

O objectivo final é tentar criar uma base que sirva de estudo a potenciais interessados pelas nossas gentes”

Por: António Amaro Rosa (Para o Jornal Serras da Pampilhosa)

Associação de Juristas da Pampilhosa da Serra (AJPS) vai levar a cabo em Setembro deste ano uma Exposição intitulada “Os deputados pampilhosenses no Parlamento português (1822-1976).  Continuar
 

A Biblioteca Municipal pampilhosense vai ser enriquecida com 16 volumes graças à exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português (1822-1976), organizada pela Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) e com inauguração agendada para o dia 11 de Setembro. continuar

Ciclo de Cinema de Pampilhosa da Serra Enviar por E-mail
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“FRATERNIDADE PAMPILHOSENSE” DESAFIADA PARA PROJECTO CINÉFILO EM SETEMBRO
Por: António Amaro Rosa

A convite da comissão organizadora do Ciclo de Cinema de Pampilhosa da Serra, o Grupo Musical Fraternidade Pampilhosense foi desafiado para abrir musicalmente aquele evento no dia 11 de Setembro, no auditório municipal do Edifício Multiusos “Monsenhor Nunes Pereira”.


Assim, a “Fraternidade Pampilhosense” irá proceder à abertura oficial do ciclo de cinema através da execução de três trechos de bandas sonoras, a saber: “Peer Gynt” (do filme “M-Matou”), “As time goes by” (do filme “Casablanca”) e “Assim falou Zaratrusta” (do filme “2001, Odisseia no Espaço”).
O referido ciclo de cinema, inteiramente subordinado à temática da justiça, está integrado no plano das comemorações do primeiro aniversário sobre a fundação da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS). Apesar de organizado pela associação jurídica, o evento será gratuito e aberto da toda a população e aos visitantes do concelho.
Ao longo de dois dias serão exibidos seis filmes da autoria de realizadores essenciais da história do cinema. Depois de na edição passada termos dado a conhecer uma das longas-metragens (“A Sede do Mal” de Orson Welles), é agora tempo de conhecermos “M – Matou”.

“M – Matou”: Alemanha, 1931, 111 minutos, drama
Realizador: Fritz Lang
Argumento: Fritz Lang e Thea von Harbou
Actores: Peter Lorre, Ellen Widmann, Inge Landgut, Gustaf Gründgens, Friedrich Gnass, Paul Kemp Theo Lingen, Ernst Stahl-Nachbaur, Franz Stein, Otto Wernicke

Peter Lorre, na interpretação que lhe marcou a carreira, é Franz Becker, um assassino de crianças, procurado por civis, polícia, pedintes e bandidos.
A história partiu de um caso real, o do “vampiro de Düsseldorf”, de seu nome Peter Kürten, cujos crimes foram cometidos na altura em que Fritz Lang realizou o filme.
O realizador alemão faz um uso admirável do preto-e-branco; a título de exemplo, veja-se a cena em que Lorre se esconde dos seus perseguidores: parece protegê-lo melhor o negro da fotografia, de Fritz Arno Wagner, do que propriamente o monte de tralha onde se ocultara.
Algumas histórias (umas tidas como verídicas, outras menos certas) ajudaram a construir a fama do filme. Assim, em colaboração com a esposa e argumentista, Thea Von Harbou, Lang terá aproveitado as amizades que tinha no Departamento de Homicídios de Berlim para ter acesso aos ficheiros de vários casos, e mesmo conhecer alguns criminosos. Terá também conseguido informações dos arquivos da Scotland Yard. Tudo para um fiel retrato do criminoso. O próprio Lang afirmou que a cena do “julgamento” está recheada de gente que era criminosa na vida real, enganando a polícia, que preparava uma rusga ao local, com horários de rodagem falsos. Peter Lorre, não obstante o papel que lhe granjeou a fama, não terá perdoado ao realizador o duro trato durante as filmagens; alegadamente, teve mesmo de fazer a cena da queda nas escadas mais de uma dezena de vezes, até ficar do agrado do cineasta…
Nove anos depois de “Dr. Mabuse der Spieler” (“O Doutor Mabuse”), Lang revisita o tema do mal. No entanto, se no primeiro filme, bem como na sequela (“Das Testament des Dr. Mabuse” – “O Testamento do Dr. Mabuse”), a crítica social parece passível de uma interpretação literal, sendo relativamente óbvias as mensagens dos filmes, não é esse o caso de “M”.
Em primeiro lugar, é de levar a sério a afirmação do cineasta alemão de que nada aqui se dirige ao Partido Nazi – como se sabe, em ascensão à data do filme. Dessa suspeita, de resto, resultou aquela que é, porventura, a história mais conhecida, das que envolveram a realização do filme: o responsável por um hangar devoluto da Zeppelin, onde se efectuou o “julgamento”, terá pretendido demover Lang da intenção de realizar o filme, pois o título original da película, “Os Assassinos Estão Entre Nós”, não terá agradado ao Partido Nacional Socialista.
Como estava a dizer, a leitura do mal é, aqui, muito mais profunda, em comparação com a saga “Mabuse”. Lang tem a feliz ideia – e a habilidade de a levar a cabo – de nos mostrar o criminoso sob todas as perspectivas: a da sociedade em geral, a da polícia, a dos criminosos, a das vítimas e a do próprio. Digo do “criminoso” e digo “dos crimes”. Não sabemos nada da vida pessoal de Franz Becker, a sua personalidade está nos assassínios que comete. É o assassino – e é, assim, os seus actos – que são vistos em perspectiva, durante a maior parte do filme.
Torna-se perturbante ver como o pânico é lançado entre os civis: a mera atitude de dizer as horas a uma criança, por parte de um vulgar transeunte, desencadeia, praticamente, um motim. Como hoje, o maior inimigo da sociedade parece ser ela própria que, desesperada por segurança, se deixa corroer por suspeitas constantes e presunções de culpa.
Ironicamente, são os fora-da-lei que apanham o criminoso, com a ajuda dos sem-abrigo. Parece que é preciso combater fogo com fogo. Segundo os próprios, os actos de Becker repugnam o mais baixo dos bandidos. E é aqui que começa a separação entre o protagonista e a restante comunidade criminosa. O segundo passo fundamental é dado por Schranker (o chefe do submundo, interpretado por Gustaf Gründgens), quando diz que ele e os “seus” infringem a lei por necessidade, ao contrário de Becker, o que sugere que este mata por algum tipo de prazer sádico.
Tal como em Mabuse, Lang parece mostrar que acredita na possibilidade de um mal intrínseco da pessoa – quase como se o mal fosse uma substância ontológica – por contraposição à ideia de “banalização do mal”, que Hannah Arendt, décadas mais tarde, proporia, aquando da sua reportagem sobre o julgamento de Eichmann.
Mabuse e Becker não estão inseridos numa estrutura criminosa, o que, por intervenção de vários factores – seja a linguagem manipulada, a normalização daquela prática pela repetição, etc. – levaria a um efeito de perda da consciência ética: a pessoa é levada a um ponto em que não opta pelo bem em vez do mal, mais porque o conflito não se coloca, sequer, com uma intensidade relevante, do que propriamente por uma opção deliberada contrária aos valores que a sociedade defende.
Ora, não é o caso, como se disse, de Mabuse e de Becker: mas o deste último é o mais perturbador, porque menos simples.
Na sequência da anunciada condenação, o “arguido” Lorre (num magistral exemplo de interpretação) inicia a sua defesa: os homicídios foram cometidos por necessidade. Aqui se quebra a identificação pessoa-actos de que falei. Becker devolve a acusação: ele mata porque algo o domina, é mais forte do que ele, mas aqueles que o julgam, não padecendo do seu mal, não têm necessidade de fazer o que fazem.
Poderia assim, como duvida o seu defensor, responsabilizar-se Becker pelos factos?
Seja como for, o medo que Lorre demonstra é assustador – é o medo pelos actos que pratica, pelo julgamento que lhe é feito, medo dos demónios que o dominam e de um julgamento a que qualquer pessoa se sujeita por nascer e agir de acordo com a sua natureza; medo por não conseguir vencer este mal, mesmo sabendo que é mal; medo de ser julgado por estar condenado.
Lang parece tomar ainda posição num debate sobre as finalidades da punição. O julgamento dos bandidos e pedintes é movido por motivações pessoais e de vingança. Os papéis da culpa e da prevenção estão adulterados: a culpa, em vez de ser um mero pressuposto da punição, torna-se o seu fundamento – as famílias desejam vingança – e o papel da prevenção é levado ao extremo – Becker deve morrer porque a sua integração na sociedade não é possível.
De resto, não deixa de ser irónico que esta sentença seja proferida em “nome da lei” e que a sentença do tribunal (o verdadeiro) o seja “em nome do povo”.
E assim fica sugerido que o povo julga com justiça quando não o faz pelas próprias mãos.
No seu primeiro filme sonoro, Lang soube usar o som como elemento fundamental e não como mero “acrescento”. O excerto de “Peer Gynt”, de Edward Grieg (ao que parece, assobiado pelo próprio Lang) acompanha todo o filme e anuncia-nos o criminoso. Acaba por ser mesmo ele a trair Becker, graças a um ouvido apurado.
Mais uma vez, o mal está onde não se vê.
E a justiça é cega…


 

 


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